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Os novos desafios dos observatórios na era cibernética

Postado por Carlos Castilho em 4/9/2006 às 11:29:54 AM

 

Quase todos os gurus da internet afirmam que a rede tem tudo para se transformar no principal espaço de ação política do planeta na medida em que a humanidade incorporar cada vez mais a comunicação online no seu quotidiano.

Isto coloca desafios enormes para os observatórios da mídia diante da multiplicação de canais de informação e também pelo surgimento de um novo publisher, o cidadão comum que edita o seu weblog.

Só a rede de weblogs já reúne hoje mais de 50 milhões de pessoas cujas idéias, propostas e ações podem ser acessadas em tempo real, sem limitações de fronteiras. Se formos somar a este total o de pessoas conectadas por correio eletrônico, listas de discussão, salas de bate papo ou comunidades tipo Orkut chegaremos a um total que pode ser dez vezes maior em todo mundo.

Todo este vasto conjunto de canais de comunicação ampliou extraordinariamente o que se convencionou chamar de mídia, o objeto de estudo e monitoramento da grande maioria dos observatórios e veedurias espalhados pelo mundo.

A observação da mídia cresceu e tornou-se uma ferramenta indispensável a partir do monitoramento crítico dos veículos de comunicação, em especial a imprensa. O reduzido número de publicações e emissoras tornava possível um acompanhamento global pelos observatórios.

Mas à medida que a oferta informativa foi crescendo e se diversificando surgiu a necessidade de segmentar os observatórios e veedurias através do monitoramento temático, ou seja, especializado em temas como educação, segurança, infância e direitos humanos.

Agora com a multiplicação dos weblogs no alucinante ritmo de um novo a cada segundo, os observatórios enfrentam dilemas ainda mais complexos. Devem continuar observando apenas a chamada imprensa convencional, mesmo quando ela incorpora cada vez mais elementos da comunicação online? Que tipo de relação pode ser estabelecida com os milhares de weblogs que também fazem monitoramento crítico da imprensa, mas sem um background jornalístico e muitas vezes sem parâmetros éticos definidos?

Se a principal missão dos observatórios é garantir a diversidade informativa, a contextualização e a veracidade das informações publicadas, eles terão que fazer algumas escolhas. A principal delas é o inevitável aumento da qualificação do seu pessoal porque ficará muito mais difícil separar o joio do trigo em matéria de informação.

Também é quase certo que a multiplicação dos weblogs terá como corolário a busca de referências na hora de avaliar contextualizações, tarefa que inevitavelmente acabará recaindo sobre os observatórios e os ombusdmen da imprensa.

Estas são apenas algumas das questões que estão no ar e provavelmente não poderão ser resolvidas rapidamente porque o processo de mediatização na internet está apenas começando. Mas uma coisa é certa, ele veio para ficar.

Aos leitores: Este texto está sendo publicado também no weblog do Colóquio Latino-americano Sobre Observação da Mídia, que será realizado em São Paulo, entre os dias 11 e 13 de Setembro, com a participação de 25 observatórios do continente e palestrantes como o escritor norte-americano Dan Gillmor e o pesquisador italiano Mauro Cerbino.                  

 


          Caro Castilho!

 

          O maior desafio não será ‘dos observatórios’ e sim dos observadores ou dos relacionadores. Acho que teremos que nos aprofundar em Filosofia, Logística, ‘Webdesign’. Deveremos nos aprofundar em Psicologia e não podemos nos esquecer, também, de História, Geografia. Talvez, com esta equipagem possamos nos sentir os escoteiros do futuro. Estes Conhecimentos atuam como uma espécie de ‘canivete suíço’ para nos dar uma saída nas horas oportunas.

          Se entendermos como Política ‘o Relacionamento’, em 1982 eu disse que: Política é a Ciência que estuda o inter-relacionamento pessoal, entre pessoas e instituições e interinstitucional. De lá para cá, não vi razão para modificar esta minha conceituação, então, a era cibernética será o renascimento da Política e a Internet poderá ter o impacto da prensa desenvolvida Guttemberg, em 1451.

          Com certeza, estamos para o ciberespaço como uma balsa no oceano. Tudo o que temos toca ainda, ligeramente, apenas na superficie deste ‘mar interior’ como até poderemos chamar.

          O cidadão pode se expressar e a Verdade (aquilo que se aceita) passa a ser compartilhada por mais pessoas sem precisar de atestados acadêmicos ou de exames de ordem como os da “OAB” que procuram habilitar e desabilitar alguém mediante uma prova em que tudo que se precisa é das respostas certas e não da dedicação, vocação ou capacitação profissional.

          Seremos jogados aos leões, ao vento ou arremessados ao mais longínqüo exílio no Ciberespaço mas o Mito da Fênix será o cotidiano virtual. Cada um dos internautas é a Fênix renascida.

          É muito importante percebermos que cairão alguns mitos e nomes que foram consagrados pela mídia TV, rádio e jornais & revistas. Um dia, estas mídias engoliram os livros, hoje estão sendo engolidas por si mesmas quase representando a figura do oroboro. O Dragão que se devora para existir.

          Bom é que assim respiramos um pouco mais o ar que alimenta a vida com a circulação de idéias. As contestações e as novas conexões que se anunciam a partir deste novo elemento de ligação-política entre os homens e mulheres, e crianças, e jovens. Enfim, que permeiam toda a sociedade.

          Seu texto anuncia... minha participação é subsidiária. Mais do que ‘observatórios’ deveremos nos ocupar dos observadores e relacionadores no mundo virtual.

 

Ricardo Oliveira - Editor

(anexado ao texto do Carlos Castilho)

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