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Política de ocasião

Antonio Avellar - 22/07/2006

O importante não é que uma classe usufrua de uma felicidade superior, mas que todo povo seja feliz (Platão-428-a.C.)

Que achariam Sócrates, que foi condenado a morrer bebendo cicuta, por contrariar velhos consensos da Grécia antiga, e o seu discípulo Platão, que dedicaram suas vidas buscando o modelo político ideal e do governante justo e honrado para os atenienses, dos conchavos e do jogo sujo da política nacional e de certos políticos tupiniquins? Certamente, se escandalizariam, com o baixo nível que esses transformaram sua ciência.

E não era para ter outro tipo de reação, ao ver, que no Brasil, a política foi tão desvalorizada e tão enxovalhada por aqueles que deveriam ser seus principais guardiães. Ela, aqui, não é um instrumento do bem, do justo e da ética, como eles desenvolveram e preconizaram, mas um meio dos velhacos mensaleitos se arrumarem na vida. E que se danem o País e o povo. As velhas e as novas raposas políticas brasileiras são movidas pelo imediatismo, improviso, oportunismo, e tudo muito bem engendrado, que resultam nornalmente em escândalos e corrupção.

E são tão volúveis que se amanhã acharem que o regime ideal para seus interesses é o Império, eles vão conspirar para isso. Já quiseram voltar para a Monarquia, Parlamentarismo, que no meio delas, não haja quem não queira ser o Napoleão Bonaparte da vez. Para isso, fazem suas necessidades fisiológicas. Do lado das velhas raposas, Sarney foi o primeiro, quando aumentou de 4 para 5 anos o próprio mandato. Em troca disso, distribuiu aos seus, aos congressistas e aos paus-mandãos desses pelo País afora, concessões públicas de montão de canais de rádio e televisão.

Em seguida, foi a vez da raposa-socióloga, FHC, que rasgou a Constituição, para ter direito a um segundo mandato consecutivo de mais 4 anos, quando introduziu no calendário eleitoral o continuismo. A moeda utilizada não foi a mesma do "coronel" do Maranhão e do Amapá, mas malas de dinheiro em espécie, para comprar o caráter dos parlamentares sem-vergonhas. pelo lado das raposas novas, Lula, que antes era contra tudo e contra todos, no Poder, se igualou as "velhas", e se fez de morto com relação à matéria.

Agora, por conveniência política de alguns, há um movimento em marcha, para acabar com a reeleição de prefeitos, governadores e presidente da República, um processo viciado e corrupto que muito prejuízo tem dado ao País, que por isso mesmo, não deixaria trauma, nem saudade se acabasse, e se realmente o tal movimento fosse para valer. Acontece, que não passa de uma manobra política das raposas novas, lideradas por Aécio Neves e José Serra, já visando às eleições presidenciais de 2010. Um tiro certo e em pleno vôo, no parceiro tucano, Geraldo Alckmin, caso seja eleito nas eleições deste ano.

Quer dizer, por interesses vis, e ao bel-prazer, rasgam, emendam e rasuram a Constituição brasileira, e a política é que fica mal diante os olhos da opinião pública. Neste caso, não é a política que não presta, mas estes tipos de políticos.

Antonio Avellar é jornalista


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5/9/2010
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